Home História 1970 - 1979 1972 Saindo no dorso
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Escrito por Franco G. Rovedo   
Qua, 29 de Junho de 2016 13:47

O ano de 1972 não foi camarada com a aviação deste lado do mundo, principalmente para os aviões da Fairchild.

Em outubro, um F-27 da Força Aérea do Uruguai acidentou-se nos Andes sendo que os 16 sobreviventes ficaram conhecidos por terem se alimentado de carne humana.

Em 14 de fevereiro deste mesmo ano, em Curitiba, o Aeroclube do Paraná perdeu seu F-24, mais conhecido como "Galicante": mistura de galinha com elefante. A gambiarra voadora perdeu uma das asas e caiu no bairro do Atuba, matando seus quatro ocupantes: Zanlutti, Jurandir, Betega e Ricardo Neves. Todos pioneiros do paraquedismo no Paraná e que fariam os primeiros saltos em grupo da história do Albatroz.

Sem o avião preparado para saltar em grupo, a alternativa era continuar saltando individualmente a partir do "CAP-4 Paulistinha". Um feito heroico quando se imagina o atleta com um grande paraquedas principal nas costas e o reserva ventral saindo pela porta minúscula e desengonçada do CAP-4.

Certa tarde, batendo aquele papo de porta de hangar, o Casimiro "Sócio" e o Walter conversavam sobre a ideia de tentar outras aeronaves para saltar. Mauro "Catatau" Brandão, então experiente piloto acrobático, ouviu a conversa e desafiou a ambos a tentarem saltar do PT-19, a aeronave de treinamento de acrobacias do aeroclube. Walter aceitou imediatamente imaginando que, para quem saia do Paulistinha, sair de um avião de carlinga aberta seria moleza.

O atleta não perdeu tempo para se equipar com o seu paraquedas do tipo PTCH-7, que embora relativamente moderno para a época, ainda necessitava de um volumoso reserva ventral.

A decolagem foi sem incidentes e assim que foi alcançada a altura recomendada, Walter pediu para que Catatau executasse um “looping”, que é uma manobra onde o avião fica completamente de cabeça para baixo. Quando estivesse completamente no dorso, Walter tiraria o cinto de segurança e a gravidade faria a extração.

O plano parecia perfeito se não fosse a maldita força centrífuga que apertava o piloto e o passageiro contra o assento durante toda a manobra. Não era preciso nem cinto de segurança. Os tripulantes não cairiam nem se quisessem.

A alternativa foi mesmo sair da carlinga em voo nivelado, andando sobre a asa até se afastar com segurança da fuselagem. O salto, em direção ao bordo de fuga, teve que ser feito com uma boa dose de energia para evitar algum dano ao aileron. Evidente que a experiência parcialmente bem sucedida foi também executada pelo “Sócio” e serviu de fundamento para outros saltos pouco recomendados, inclusive de planador.

Estas experiências, embora temerárias, serviram para formar uma grande equipe de paraquedismo de competição com nível internacional. Os anos seguintes viram Walter, Casimiro, Talamini e outros Albatrozes, conquistarem os céus estrangeiros e trouxeram títulos importantes para o Brasil.

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