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O velhinho de barba branca Imprimir E-mail
Escrito por Franco G. Rovedo   
Sáb, 11 de Junho de 2016 20:41

O agnóstico não tem certeza da existência de Deus, mas não hesita em chamá-lo no caso de uma emergência. Foi o que aconteceu com este veterano paraquedista do exército.

O primeiro campeão brasileiro de paraquedismo, Luiz Schirmer, abusou da sorte que tanto lhe sorriu pelos seus 72 anos, à época. O evento ocorreu na cidade de Governador Celso Ramos, Santa Catarina em 2011. O salto deveria ser apenas uma simples demonstração e uma oportunidade de voar junto de outro amigo e também experiente paraquedista, José Casimiro “Sócio” Rosa, um Albatroz do Aeroclube do Paraná.

Os dois atletas embarcaram no helicóptero Robinson 44 e realizariam uma rápida formação em queda livre. Casimiro, assim como o próprio Schirmer, estava equipado com a moderna câmera GO PRO e filmaria todo o salto. O tempo limpo e céu azul garantiriam belas imagens da costa da Ilha de Santa Catarina.

A saída da aeronave ocorreu sem incidentes. Casimiro saiu logo após Schirmer e permaneceu filmando aquele senhor de barba branca caindo a 220 quilômetros por hora. Uma honra para poucos que conheceram de perto a história de um recruta analfabeto que se tornaria oficial médico do exército brasileiro.

Sem perder de vista o companheiro, Casimiro checou o altímetro e acenou o fim da queda livre e o momento de acionar o paraquedas. Schirmer comandou logo em seguida de maneira que Casimiro pode observar claramente a abertura de seu paraquedas principal.

Surpreso, o “Sócio” percebeu que além do velame principal, o paraquedas reserva também havia sido acionado. Os dois velames inflados funcionavam perfeitamente, porém ameaçavam enroscarem-se e causar uma tragédia.

Schirmer teve que tomar uma decisão crítica: desconectar o paraquedas principal ou arriscar navegar com os dois velames abertos. Diante da progressão da pane, ele decidiu desconectar o velame principal que, por outra fatalidade, enroscou-se no velame do reserva de tal maneira que tornou impossível a navegação correta. Schirmer descia a mais de 50 quilômetros por hora em espiral, totalmente desgovernado. A velocidade horizontal do giro já passava de 80 quilômetros por hora e o chão chegava rápido.

Casimiro manobrou em direção ao possível ponto de impacto certo de que teria que cuidar do corpo do amigo, certamente sem vida. De fato a cena foi assustadora. Schirmer bateu de lado em uma cerca de arame farpado e seu quadril atingiu o mourão da cerca violentamente.

Felizmente, o giro horizontal, seguido do impacto lateral, dissipou muito da energia que teria sido fatal caso a queda ocorresse direta no solo.

O “Sócio” pousou em um terreno próximo e correu em direção ao amigo esperando o pior. A cena que se seguiu surpreendeu a todos. Schirmer estava de pé, e embora com algumas dores, agradecia a cerca providencial que havia lhe amortecido a queda.

Ainda surpreso, Casimiro perguntou:

- Pô Schirmer, como você conseguiu escapar desta?
- Ah... Pedi uma força para Deus.
- Como assim? Sei que você é ateu.
- Pois é Sócio... Você sabe disso, mas Ele não.

As duas semanas seguintes foram passadas em um hospital tratando da fratura de fêmur. O velho “Meteoro” recuperou-se e voltou a saltar, e embora não tenha certeza da existência de um Deus, lembra sempre de agradecer aquela ajudinha do velhinho de barba branca... Assim como a dele.

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