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O DQX e seus Albatrozes Imprimir E-mail
Escrito por Franco G. Rovedo   
Qua, 15 de Outubro de 2014 11:48

A história do velho PP-DQX começou bem antes do Ulisses em Boituva. Comprado pelo Aeroclube do Paraná, em 1974, o Cessna 190 foi logo requisitado para uso da equipe Albatroz de paraquedismo, já que seu potente motor radial de 245 HP, acelerava também o processo de treinamento dos atletas.

Em seu primeiro voo de lançamento, o piloto designado foi o querido amigo Odair Cordeiro. Experiente em diversos aviões com trem de pouso convencional, exímio piloto de acrobacias com o PT-19 e lançador de confiança dos paraquedistas, foi o escolhido também por ser parnanguara e conhecer bem a região dos saltos que aconteceriam naquele final de semana.

Enquanto uma parte da equipe foi por terra para o litoral do Paraná, outros 3 atletas embarcaram equipados, planejando saltar sobre o campo de aviação de Paranaguá e aproveitar o translado. O plano do trio de velhos amigos era muito bonito. Mário "Meio-quilo", Casimiro "Sócio" e "Selva" imaginaram sair do avião a 6 mil pés e fazer alguma formação de trabalho relativo antes de comandar os seus modernos Papillon ovais.

O plano começou a ir por água abaixo antes de chegar à Serra do Mar. A camada de nuvens estava baixando rapidamente, de modo que Odair teve que voar baixo seguindo a estrada. As condições do tempo mudavam cada vez mais rápido e a turbulência já incomodava bastante os três paraquedistas sentados no piso da aeronave. Assim que a serra ficou para trás, também ficou evidente o motivo da mudança das condições meteorológicas. Uma nuvem em forma de bigorna crescia e se aproximava vinda do mar: uma CB de base negra e turbulenta. Uma cumulus nimbus apavorante que certamente estragaria o salto e também deixava dúvidas quanto a disposição de permancer no avião durante o pouso, que não seria nem um pouco suave.

Após uma breve conferência, entre trancos e solavancos, Casimiro e o Selva decidiram saltar enquanto Mário preferiu permanecer no avião e pousar acompanhando o piloto Odair.

Não precisou de mais altura para o salto. Os dois abandonaram apressadamente a aeronave, comandaram os paraquedas e tentaram navegar em direção ao campo de pouso logo abaixo. O vento porém estava muito forte e mudara de direção. Os dois experientes paraquedistas, trocaram o rumo e navegaram em direção da Ilha dos Valadares, do outro lado do rio Itiberê, onde havia uma pequena comunidade de pescadores e um campinho de futebol.

Quando parecia que a situação não poderia piorar, perceberam que "Meio-quilo" havia se arrependido de ficar na aeronave e saltado algum tempo depois deles. A diferença de tempo entre as saídas, e a posição, fez com que o vento levasse Mário para uma ilha mais distante ainda. A Ilha da Cotinga não possuía local para pouso e provavelmente o colega teria um dia difícil pela frente: no mangue.

Já Selva e Casimiro foram recebidos pelos nativos como astronautas e tratados como celebridades, mesmo tendo que deixar capacetes, luvas e outros pertences para conseguir uma carona de volta para a cidade.

A preocupação agora passava a ser com o Mário. Até a marinha foi acionada para o resgate, uma vez que o vento estava tão forte que, durante o pouso e taxi, o DQX teve que ser segurado pela equipe de solo, sob perigo de se desgovernar e capotar por conta das violentas rajadas.

Sem aguentar a espera, Selva e o "Sócio" foram em busca do amigo extraviado.

A tensão no campo era imensa. Por pouco não havia acontecido uma tragédia com o 190, e só a perícia do Odair e a ajuda do Walter e outros companheiros em terra, é que evitaram o pior. Mas a espera pelo Mário e os companheiros estava angustiante. Todos tinha visto o paraquedas do Meio-quilo desaparecer no horizonte em direção ao mar. Cada minuto sem notícias, tornava o clima mais apreensivo.

Ao anoitecer, um táxi chega ao campo de aviação. De dentro saem Casimiro e Selva; ambos consternados. Em seguida ajudam o desembarque do companheiro Mário "Meio-quilo", todo enfaixado e coberto de ataduras. O alívio foi geral. Pelo menos havia sobrevivido àquela dura prova de resistência.

Difícil mesmo, foi sobreviver a ira dos amigos, quando souberam que ele havia pousado sem problemas na ilha e ganhado uma carona confortável no barco de um pescador local. Ao ver Meio-quilo em tão boas condições, Casimiro e Selva se apressaram em passar em uma farmácia e fantasiar o amigo de vítima ferida, para que o retorno fosse condizente com a fama de sacana de um verdadeiro Albatroz.

FIM

Comentários

avatar JOTA
0
 
 
Excelente o artigo sobre o velho e confiável DQX. Apenas um reparo, ele foi adquirdo pelo ACP no ano de 1975, em 1974 e até meados de 1975 saltávamos do C-180 IJB; Recordo bem porque meu primeiro salto foi com o IJB em 28 de dezembro de 1974 e realizei pelo menos mais 3 ou 4 saltos com ele em 1975, quando, por uma barbeiragem de um piloto inexperiente, acidentou-se sem vítimas, mas ficou destruído.
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avatar MARCELO RICCI
+1
 
 
Fico só imaginando a cena! KKKK . Grande abraço e bons saltos a todos! MARCELO RICCI
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avatar Clovis Figueira
+2
 
 
Valeu, grande memória.
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avatar André Graeff Riczaneck
+2
 
 
É por estas, brilhantemente narradas pelo Franco, e certamente por inúmeras outras que me orgulho dessas histórias que cada PQD tem para contar !!
Um abraço ao Franco e ao "Velho PQD", sempre mencionado, CASIMIRO !!

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avatar Casimiro
+4
 
 
Grande Franco, somente vocè pra captar e transmitir com detalhes a nossa história... Obrigado
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