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Sky Riders anos 80 Imprimir E-mail
Escrito por Franco G. Rovedo   
Sex, 22 de Agosto de 2014 19:56

Após muitos anos, a turma que praticava paraquedismo se reuniu em uma festa homenageando as décadas em que nos atirávamos em queda livre e aterrávamos entre amigos e amores.

Ainda bem que os anos 70 e 80 foram muito ricos em canções empolgantes. A tecnologia atual fez com que pudéssemos assistir as imagens dos artistas enquanto cantavam e dançavam em clipes que, antigamente, só assistiríamos muito tempo depois na TV.

Os organizadores foram caprichosos e perfeccionistas na decoração e preparativos. Acho que é coisa de paraquedista que tem este costume para garantir sua sobrevivência. Estava tudo perfeito. Perucas Black Power, medalhões de paz e amor, globo de espelhos, luz negra e principalmente, a seleção de músicas.

Quem não foi, perdeu o nosso dobrador oficial de cabelo Black, jogando charme para duas belas morenas hippies, que satisfeitas, ondulavam perigosamente seus corpos para nosso pequeno grande homem.

Amigos e amigas que se conheceram nas áreas de salto, casaram, tiveram filhos e hoje já não dividem o mesmo teto, mas ainda carregam as lembranças de um tempo que volta ligeiro em momentos como aquela festa. Outros porém, continuam apaixonados como quando trocaram olhares na área de salto.

Ao som de BeeGees, todos dividimos o salão. As luzes coloridas não poderiam enfeitar mais as belas mulheres amigas que estavam conosco. Cheguei a pensar que a beleza de todas só pode ter permanecido intocada pelo tempo, por causa do vento no rosto ou da adrenalina no sangue. Todas continuavam tão belas, ou mais, do que antes.

Uma em especial sempre me chamou a atenção. Morena, nariz arrebitado e um sorriso perfeito emoldurado por uma boca sensual. Impossível precisar a idade que tinha. As contas não batiam. Não podia ser a mesma que dividia o avião comigo, amarrada em um T-10 desengonçado. Estava muito bonita com o cabelo negro jogado todo para trás. A roupa justa revelava um corpo de fazer inveja a todas as meninas ali.

Dançamos entre nós relembrando as músicas e coreografias da época. A idade já não permitia maratonas muito longas de música rápida e eventualmente sentávamos para recuperar o fôlego. Muita coisa havia mudado, menos a satisfação de estar entre eles.

Como era o costume da época, em determinado momento o som parava por alguns minutos. O equipamento daquele tempo precisava esfriar e o Dj resolveu ser fiel até nisso. Exatamente no instante que cruzei com o olhar da morena, os acordes de uma música lenta chamaram os casais de volta para a pista. Estendi a mão em um convite que foi alegremente aceito. De mãos dadas nos dirigimos para o centro do salão e ali nos abraçamos.

Como em uma mágica, nosso corpos conversaram rapidamente e acertaram o ritmo com se houvessem feito isso muitas vezes antes. Éramos um só que delicadamente foram envolvidos pelas clássicas melodias tão esperadas. Música lenta sempre foi e sempre será uma boa chance de tocar na pessoa desejada. Fechei os olhos e a conduzi no ritmo tranquilo. Segurei sua mão como há muito não fazia e me atrevi entre seus cabelos. Ficou evidente que nossos movimentos diziam muito mais que nossas palavras. Uma história começava a ser escrita.

A tensão e o medo do que estava por vir, aumentavam segundo a segundo. A adrenalina voltava a correr pelo sangue e as emoções cresciam exatamente como no passado, antes de sair da aeronave. Naquela época porém, sabíamos quando acionar o paraquedas e nos salvar do inevitável impacto no solo. Com ela em meus braços, me senti um novato em seu primeiro salto.

De repente, todos pareceram desaparecer a nossa volta e só restou seu perfume, a maciez da sua pele e o aconchego em seu corpo. Uma paz em queda livre que durou alguns minutos para sempre.

Naquela situação especial, nos despedimos em dúvida se gostaríamos de desacelerar a queda nos braços um do outro e o impacto que a paixão poderia causar. Resolvemos comandar o paraquedas e aguardar novo salto. Este havia sido o suficiente para relembrar as emoções que nunca nos deixaram.

Comentários

avatar Casimiro
+3
 
 
Grande Pqd e Escritor Franco que esta seja a primeira das muitas histórias narradas pelo amigo....... quando minha próxima passada por Curitiba vamos nos reunir para relembrarmos de algumas histórias interessantes para o amigo narrar..... C 195 Cmte Odair na boléia...... primeiro lançamento com o Senica 01 com o Cmte Paulo Araújo.... Parabéns Franco e a até a próxima...
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